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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A revolução econômica da Região Norte (II)

O (excelente) Jornal Valor publicou hoje (dia 23) matéria que foi meu assunto no artigo “A revolução econômica da Região Norte”, publicado neste blog no último dia 18. O artigo do Jornal acrescenta informações valiosas e acaba por corrigir alguns pontos do meu artigo. Vamos a eles:

A) Ao contrário do que eu disse, o Canal de Panamá já comporta a passagem de navios de até 60 mil toneladas de carga. A obra de modernização do canal permitirá a movimentação de navios de até 150 mil toneladas (ops!!). A mudança do navio já será suficiente para reduzir em 20% o custo do transporte.

B) O valor médio do frete do Mato Grosso para os portos de Santos ou Paranaguá fica em US$ 133 por tonelada. O embarque via Pará terá um frete estimado em US$ 88

C) O trajeto de ida e volta até a China seria reduzido de 40 para 36 dias em relação ao caminho hoje percorrido pelos navios que saem de Santos e Paranaguá, a lembrar que a China importou 75% da exportação brasileira de soja em 2013.

Bem, o Jornal ressalta as preocupações com o término do asfaltamento da BR-163, prometido pelo Governo para o ano que vem. Sem este asfaltamento tudo vai ficar difícil e talvez comprometer todo o grandioso projeto. Acredito que devemos ter fé, ou “fé de mais” ou “fé de menos”. No caso, eu prefiro “fé de mais”.

O artigo do Jornal Valor foi assinado pelas jornalistas Mariana Caetano e Bettina Barros. Aos queridos amigos, principalmente dos Estados do Pará e do Mato Grosso, recomendo adquirir o Valor do dia 23 de janeiro de 2014, recortar e guardar o artigo. Como diz o Góes, do Jornal O Globo, vamos torcer, vamos cobrar.


sábado, 18 de janeiro de 2014

A revolução econômica da Região Norte

Está previsto para este ano a inauguração do novo canal do Panamá que permitirá a passagem de navios graneleiros de até 60 mil toneladas de carga.

O Estado do Mato Grosso é, atualmente, o maior produtor de soja no Brasil, com, aproximadamente, 24 milhões de toneladas.

A relação de preço entre grão de soja e soja beneficiada (óleo e farelo) era de 1 para 3 (o preço da soja beneficiada era três vezes maior que a soja em grão). Hoje, a relação caiu, passando a ser de 1 para 2. E continua caindo. Em termos de custo-benefício o melhor agora é exportar a soja em grão.

O problema do Mato Grosso é o escoamento da produção. Mais ou menos 90% da produção seguem por mais de mil quilômetros em rodovia para o porto de Paranaguá. A rota dos navios é, em geral, pela travessia do Atlântico, contornando a costa africana, em direção à China, que adquire 65% das exportações brasileiras de soja. O tempo de navegação dura, aproximadamente, 35 dias, sem contar a perda de dias provocada pelo congestionamento do porto.

A Rodovia BR-163 que liga Cuiabá a Santarém já está totalmente asfaltada no Estado do Mato Grosso, e o Governo promete concluir até 2015 o asfaltamento no Estado do Pará.

Santarém fica nas margens do majestoso e navegável Rio Tapajós, cuja largura alcança até 12 quilômetros (que beleza de rio) e oferece maravilhosas vantagens portuárias.

Unindo tudo isso, a soja do Mato Grosso vai mudar de rota. Seguirá de caminhão pela Rodovia BR-163 até Itaituba ou Santarém. Armazéns e portos graneleiros vão embarcar a soja nos navios que seguirão pelo Tapajós/Amazonas, atravessarão o canal do Panamá, e no Pacífico tomarão o rumo em direção à China. A viagem será reduzida em dez dias em relação às saídas de Paranaguá. O custo do frete será reduzido em quase 40%. A competitividade da soja brasileira será bem maior no mercado internacional.

Ao retornar, os navios trarão fertilizantes que os produtores de soja tanto necessitam. O custo do fertilizante também vai cair.

As empresas gigantes do setor já estão se movimentando, adquirindo terras em Itaituba e Santarém para construir armazéns e complexos de logística. Um novo cenário está surgindo.

A única preocupação é o governo deixar de cumprir a promessa de concluir o asfaltamento da BR-163. O DNIT garante que entregará a obra no prazo. Outra preocupação é o governo deixar de tomar iniciativas de reduzir a burocracia na exportação, que demanda tempo e custo. Outra é a capacidade de gestão dos portos oficiais. E outra mais são os icebergs da corrupção no trânsito dos papéis... Mas, poxa, vamos ter fé que tudo se resolva!

O Pará ansiosamente aguarda. E o Brasil cresce para o Norte, até então esquecido e abandonado, como se fosse terra de ninguém, ou, pelo menos, do açaí e do cupuaçu (ou kupuaku como dizem os japoneses).