Recebo diariamente uma infinidade
de mensagens eletrônicas misteriosas, estranhas ou comoventes. Fico assim, sem
saber o que fazer com elas, se deleto ou respondo, pois ainda considero falta
de educação jogar na lixeira as mensagens dos outros. Mas são muitas! Se ficar
respondendo acabo não fazendo mais nada durante o dia. Problema sério!

Outra mensagem me pergunta se
quero ser funcionário público. Se quiser, muito simples, basta fazer um curso.
Respondo dizendo que não posso, já passei dos setenta. A pessoa não me
responde.

Uma senhorinha me diz que tem 3
milhões de e-mails abertos. Se eu quiser, basta baixar o donloude. Fico
pensando: o que vou fazer com 3 milhões de e-mails abertos? Respondo dizendo
que não preciso, porém, agradeço a deferência da oferta. Ela não responde.
A Cacique me oferece empréstimo
pessoal e imediato. Seria bom receber uma graninha, mas depois terei de pagar e
isso me preocupa. Dispenso o gentil oferecimento e respondo que se um dia
houver doação para velhinhos, por favor, me enviar oferta. A Cacique não
responde.

Um tal de “prevent sênior” me
oferece preventivo especial para terceira idade. Não tive coragem de abrir o
e-mail, mas parece que ele demonstra as qualidades de um enorme bastão
elétrico. Fiquei com medo, não só pelo fato de que quem tem, tem medo, mas,
principalmente, porque o bastão pode dar choque ou provocar um curto-circuito.
Fiquei imaginando eu na cama sendo eletrocutado e agarrado no bastão. Cruz
credo! Estou fora!
O mais gentil e-mail que recebi
foi o de uma moça chamada Suzaninha, a perguntar se eu gostaria de sua
carinhosa companhia. Fiquei até comovido. Perguntei à minha mulher o que ela
achava da proposta, e ela me disse para convidar a mocinha para o chá das
cinco. E perguntar o que ela prefere para acompanhar o chá: bolinhos de mel ou
torta de chocolate. Suzaninha não respondeu.