segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Soneto do Colesterol

Saudade da carne


Oh maminha gentil, que te partiste
De um boi gordo e descontente,
Repousa lá no prato eternamente
E viva eu cá, distante e sempre triste.

Se lá nas memórias ainda resiste
Saudade da tua carne macia e quente,
Não te esqueças da dieta inclemente
Que cá me escraviza e de ti desiste.

E se vires que posso um dia merecer-te
Alguma coisa da tristeza que ficou,
Além de peixe congelado, de perder-te;

Roga ao médico que receitou
Que revogue a ordem de não comer-te,
Se tão cedo da minha boca te levou.

PS – Com o devido respeito ao poeta eterno Luiz de Camões.

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