sábado, 12 de março de 2016

Dicas midiáticas

Prezado leitor,

Se você é um daqueles que sonha em aparecer, transformar-se em notícia na mídia, passar a ser conhecido e gozar de notoriedade em, pelo menos, quinze minutos da sua vida, procure observar as dicas que prazerosamente lhe oferecemos:

A – Use apetrechos que chamem a atenção de todos. Um dos mais indicados é uma melancia verde atada ao pescoço. De preferência, pesando uns dois quilos. Aconselhamos trocar a fruta de posição vez em quando: ora nas costas, ora na frente, para não provocar problemas na coluna.

B – Também de bom alvitre é a cromagem das orelhas. Você pode niquelar (com níquel) ou cromar (com cromo). Dói um pouco, mas o efeito é fantástico!

C – Se você for japonês, ou descendente de, ingresse na Polícia Federal e tente conduzir presos políticos. Não se esqueça de usar óculos escuros!

D – Se você pertencer ao Ministério Público procure atuar em ações contra pessoas famosas. Pedir a extradição do Papa, por exemplo, seria notícia internacional! E não importa que ele seja argentino, ninguém vai se lembrar desse pequeno descuido, afinal, tudo é latino americano. Mas, se alguém tocar no assunto, manda-o catar coquinhos!

E – De bom efeito é o ato de bater em morto. Consiga um defunto e enfia a pancada! E não tenha medo: morto não pode se defender.

F – Se você cometer uma fraude faça aquela que repercuta nos poderosos! E logo ameace a todos com delação premiada. Chegando neste ponto, você já poderá dar entrevistas em revistas sensacionalistas. Mas, não diga nada! Só insinue ou invente.

G – Em continuação à dica anterior, anuncie que você vai escrever um livro contando tudo! É lógico que você não vai escrever coisa nenhuma, se você nem sabe escrever, mas deixa a promessa no ar.

H – E, por último, siga aquele provérbio: ande sempre na companhia de poderosos ou pessoas ilustres, e faça de conta que você é um deles. 

quinta-feira, 10 de março de 2016

O Capoteiro na Operação Lava a Jato

A excelente Jornalista Maria Cristina Fernandes (os seus artigos no Jornal Valor são imperdíveis) relata o drama do capoteiro Jorge Blanco, intimado no dia 26 de fevereiro passado para depor na Justiça. O Senhor Blanco é humilde morador no bairro de São Geraldo em Belo Horizonte e sua renda oscila na faixa de R$ 4 mil.

Perplexo com aquela intimação, o capoteiro ficou sem dormir os sete dias que se seguiram até a data marcada para comparecimento. Pediu socorro a um jovem advogado seu conhecido e lá foram os dois, no dia 4 de março, prestar depoimento no Ministério Público Federal.

Numa enorme sala, repleta de Procuradores, todos ouviram a voz do Juiz Moro em videoconferência, a dizer que, na condição de testemunha, o Senhor Blanco estava comprometido a dizer a verdade, só a verdade, apenas a verdade. Não pediram para jurar com a mão sobre a Bíblia, parece que esse costume foi abolido.

Nas perguntas iniciais logo perceberam que se tratava de um equívoco. O Senhor Jorge Blanco era capoteiro desde criança, não tinha nível superior, nunca ouvira falar da existência de um Banco chamado Schahin e não era argentino. Percebeu-se, assim, que o ex-diretor do Banco Schahin, o argentino Jorge Blanco era outra pessoa. Um mero erro de homônimos.

Mas, antes de chegarem a essa brilhante dedução, sem dúvida extraída de uma mente extraordinária, o capoteiro foi ameaçado a ser conduzido à Curitiba onde corria a ação criminal, provavelmente a ferros e acompanhado pelo japonês.

Depois que o capoteiro e o seu jovem advogado, ambos gaguejando (e quem não gaguejaria diante da voz impoluta do Juiz Moro?), explicaram que “blanco não era pleto”, um enorme silêncio dominou o recinto. O Juiz Moro perguntou se alguém queria se pronunciar. Os Procuradores, antes tão falantes e pomposos, calaram-se, olharam para suas próprias mãos e alguns se levantaram para beber um cafezinho.

Até o momento em que o Juiz Moro caiu na gargalhada, e todos riram (menos o capoteiro e o seu advogado) e o ambiente tenso foi descontraído. Liberaram, então, o intimado. E NINGUÉM PEDIU DESCULPAS AO SENHOR JORGE BLANCO!!

(Recomendo a leitura do artigo de Maria Cristina Fernandes no jornal Valor, de 10/03/2016).

quarta-feira, 9 de março de 2016

A estação da muda

O Deputado Caladino Espinhaço chegou ao prédio da Assembleia já em processo de muda. A sua pele ‘descascava’, a liberar a pele vermelha antiga e surgir uma nova pele amarela.

“Está na muda, deputado?”, perguntou a chefe de gabinete do Deputado Rosvaldino Resoluto, vulgo RR.
“É a estação da muda”, respondeu o Deputado Caladino.
“A muda do Deputado RR já terminou! Ele agora está todo avermelhado”, disse a chefe de gabinete.
“Mas pode mudar! Tem deputado que sofre muda até duas vezes no mês”, explicou o Deputado Caladino.
“O gozado é que a muda nos políticos é diferente. Quem não é político só tem uma muda a cada ano e, às vezes, só de quatro a quatro anos”, comentou a chefe de gabinete.
“Pois é, um fenômeno que a ciência não explica”, entrou na conversa o assessor jurídico da Assembleia.
“Fico perplexa com o Deputado Julius Convictus! Nos oito anos que está aqui nunca entrou em muda!”, disse a chefe de gabinete.
“É mesmo! A pele dele é sempre cor de laranja!”, comentou o assessor jurídico.
“Acho que o Julius toma um remédio contra a muda”, segredou o Deputado Caladino.
“E tem remédio contra a muda?”, perguntou a chefe de gabinete.
“Dizem que tem, eu não conheço, mas dizem também que é muito caro”, explicou o Deputado Caladino.
“Ora, Deputado, os senhores ganham o suficiente para comprar qualquer remédio”, ironizou o assessor jurídico.
“Não é assim! Esse remédio é importado e só se consegue nas Ilhas Cayman”, respondeu o Deputado Caladino.
“E daí? Basta importar!”, comentou a chefe de gabinete.
O Deputado meneou a cabeça:
“Não é tão fácil! O remédio é proibido e para importar é necessária a intermediação de um operador de câmbio que saiba das coisas”.
“O senhor nunca tentou?”, perguntou a chefe de gabinete.
“Bem, o meu método é diferente. Prefiro ter a muda e depois me vacinar para manter a atual cor da pele”, explicou o Deputado Caladino.
“E essa vacina é cara?”, perguntou o assessor jurídico.
“Depende da cor da pele que se queira manter”, disse o Deputado.
E retrucou para terminar a conversa:
“Atualmente, a cor da pele que está na moda é rosa. Nem vermelho, nem amarelo”.